#Angola #Destaques #Multimedia #Vídeo

Criados 75 mil empregos em zonas rurais nos últimos 3 anos – reveja a 9.ª edição do CaféCIPRA

O ministro da Economia e Planeamento reiterou ontem (2), em Luanda, a aposta do Executivo na expansão da produção primária com vista a gerar maior número de postos de trabalho nas zonas rurais e fomentar a empregabilidade nos sectores agrícolas e de extracção de recursos minerais, segundo o Jornal de Angola.

Reveja aqui na íntegra o CaféCIPRA de dia 2 de Maio.

Mário Caetano João falava na 9ª edição do Diálogo Sem Mediação, do “Café Cipra”, promovido pelo Centro de Imprensa da Presidência da República, sob o lema “o relançamento da indústria e o fomento da empregabilidade”, onde esteve ainda o ministro da Indústria e Comércio, Victor Fernandes.

Fizeram parte do painel o PCA da Agência de Investimento e Promoção das Exportações (AIPEX), Lello João Francisco, e o administrador executivo da Zona Económica Exclusiva Luanda-Bengo (ZEE), Celso Borja.

O titular da pasta da Economia e Planeamento referiu que a decisão do pelouro em acelerar todos os trabalhos em torno do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), com financiamento às pequenas, médias e grandes empresas, permitiu a criação de 75 mil postos de trabalho, 50 por cento dos quais no sector da Agricultura.

O dirigente enfatizou a premissa de que a agricultura necessita de mercados agregadores para onde a produção é escoada, assim como uma indústria com capacidade de fomentar a empregabilidade por conferir longevidade aos produtos, transformá-los estrategicamente, pois grande parte dos produtos primários de origem animal ou vegetal é perecível.

Mário Caetano João recordou que o Ministério da Economia e Planeamento está empenhado na melhoria do ambiente de negócios, uma vez que configura um importante factor para atrair o investimento directo estrangeiro e garantia de que os produtos processados consigam ter mercado estável, sejam cada vez mais competitivos, com o aumento progressivo da escala e reflexos no aumento da empregabilidade, sem perder de vista a integração económica regional, com particular realce no acesso aos mercados transfronteiriços.

“Estamos a trabalhar com vista a garantir a empregabilidade, não só na indústria, mas em todos os sectores da Economia, nos quais a indústria representa um dos segmentos mais expressivos como factor decisivo para o desenvolvimento”, destacou. Acrescentou que nas zonas rurais, “promovemos a produção primária e secundária, enquanto nas cidades, onde o emprego do futuro está ligado às transformações digitais, prestamos maior atenção para o sector terciário (comércio e serviços)”.

Fomento de emprego nas zonas rurais

As acções do Executivo, com foco nas zonas rurais, resultaram na criação de cerca de 3.000 projectos agro-pecuários nos últimos três anos, correspondentes a uma média de 1000 projectos, aprovados desde 2019 até ao primeiro trimestre do presente ano. De acordo com as estatísticas apresentadas pelo ministro da Economia e Planeamento, até 2019 o número de projectos financiados pelo Banco Angolano de Desenvolvimento rondava os 30 a 40 a serem aprovados.

Sobre este particular, acrescentou que, a partir de 2020, depois de se aperceber da dependência na importação de bens alimentares do exterior, na altura em que as medidas de combate à pandemia da Covid-19 motivaram grandes limitações nas trocas comerciais entre os mercados e encerramento das exportações, houve a necessidade de começar a investir na promoção de bens alimentares.

“Em cerca de três anos, garantimos a criação de cerca de 75 mil postos de trabalho nos centros de produção em zonas rurais. Ainda não é o suficiente, na medida em que cerca de 80 por cento da nossa força de trabalho é informal. Esta informalidade está basicamente concentrada nas zonas urbanas e Luanda é o epicentro da informalidade”, referiu.

A venda de produtos de origem do campo em zonas impróprias da cidade constitui uma preocupação, disse, frisando que quando se anda pela capital do país é notável a população comercializar os produtos em qualquer ponto, seja em pontes de transeuntes, quer nas paragens de autocarros, entre outros.

“Fizemos um estudo para melhor perceber o porquê desta dinâmica, cujos resultados revelam que precisaríamos de quatro mercados para cada 100 mil habitantes. Quando, na realidade, temos uma média 0,9. Ou seja, quase um mercado para 100 mil habitantes. Isso faz com que muita gente, com o fluxo de produtos primários, provenientes das zonas rurais, opte por vendê-los um pouco por todo o lado”, realçou.

Mário Caetano João sublinhou que se tem trabalhado com os Governos Provinciais no intuito de serem identificados os espaços para que se possam construir mercados municipais, de modo a tornar mais facilitado o processo de transição da economia informal para formal, pois para nada serve formalizar pessoas que estejam a vender um pouco por toda a cidade sem lhes dar dignidade laboral.

“O Executivo decidiu intensificar a produção nacional com a criação de três planos nacionais de fomento à produção, que são o Planagrão, orçado em cerca de mil milhões de dólares por mês, divididos em produção primária, infra-estruturas de limitação e vias de acesso, cerca de 300 milhões de dólares nos próximos três anos para a pecuária (Planapecuária) e 300 milhões de dólares para a pesca (Planapescas). São cerca de 5.6 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos. E isto será tudo feito no meio rural, o que também passa pela criação de centros logísticos que possam ajudar o escoamento da produção”, informou.

Principais metas a médio prazo superadas

Mais de 2000 empresas foram financiadas, ao contrário das 1.515 previstas no Programa de Apoio ao Crédito, enquanto o PRODESI já beneficiou cerca de 500 cooperativas das 470 previstas, de acordo com o ministro da Economia e Planeamento.

Mário Caetano João disse que o PRODESI tem como meta atingir 3.030 contratos de compra entre a produção primária, o comércio e a indústria, numa fase em que já foram assinados mais de 3.100 contratos, num programa que contempla, também, a formalização de, pelo menos, 250 mil empreendedores.

Referiu que o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018/2022) não previa financiamento ao micro-negócio, mas financiou 4.000 empreendedores. “De facto, não sei onde é que o Prodesi falhou. Mas melhoramos a posição do país em 15 lugares. Infelizmente, o doing business foi descontinuado. Ou seja, tínhamos um alvo e este alvo desapareceu. Todavia, não deixamos de trabalhar”, apontou.

Ressaltou que, por força do estatuto orgânico, foi criada, pela primeira vez, a Direcção Nacional do Ambiente de Negócios. Reiterou que, neste momento, ainda não se tem qualquer tipo de classificação, mas por se ter criado, proactivamente, este organismo o Banco Mundial identificou Angola como um dos países-piloto para o novo conceito do ambiente de negócios.

“A substituição das importações é, de facto, um tema difícil de se abordar. Em 2018, importávamos 54 produtos do Prodesi, em que temos algumas vantagens comparativas. Ou seja, “o país pode produzir. Deixamos uma importação de 2, 4 mil milhões de dólares para cerca de 1, 4 mil milhões de dólares em 2021, dos quais cerca de 50 por cento (700 milhões dólares) representam três produtos (frango, óleo alimentar e açúcar)”, realçou. Acrescentou que são estes produtos que o BDA tem estado a financiar, mas, disse, quando “o kwanza começou a valorizar-se em 2022 as pessoas ficaram mais empoderadas, adquiriram mais divisas e começaram, novamente, a importar”.

O ministro da Economia e Planeamento, Mário Caetano João, considerou que o exercício de procurar substituir as importações resultou, tendo admitido que, ao mesmo tempo, se devem evitar fricções no mercado por escassez, “pois se trata de um processo contínuo, numa altura em que a inflação está em queda de 27 por cento, em Dezembro de 2021, para cerca de 13% em 2022”.

Referiu ser um resultado do Prodesi, porque 55 por cento do peso da inflação se deve à alimentação (cesta básica).

Indústria é o factor decisivo das vantagens comparativas

O ministro Víctor Fernandes afirmou, ontem, que a indústria é o factor decisivo, por multiplicar o que se produz em termos de matéria prima, acrescentando que, quando a transforma, aumenta as opções de empregabilidade, porque com o desenvolvimento do negócio pode gerar-se emprego directo e, também, indirecto, ligado à formação, à qualificação profissional e ao desenvolvimento infra-estrutural.

Segundo o titular da Indústria e Comércio, durante a intervenção na 9ª edição do Café Cipra, realizado, em Luanda, as acções do Executivo para a melhoria do ambiente de negócios, por intermédio dos incentivos fiscais, criação de infra-estruturas, fornecimento de energia eléctrica, água e outros pressupostos, proporciona o surgimento de programas de fomento de bens em larga escala. Víctor Fernandes foi peremptório em afirmar que uma indústria só pode nascer se houver energia, água e rodovias para os corredores de distribuição. “Temos exemplos, no país, de zonas que, por força da implantação industrial, se desenvolveram, não só do ponto de vista da criação de empregos, mas da criação de habitação, de escolas e um conjunto de externalidades que acompanham o sector”, reforçou.

Esse factor decisivo que a indústria representa, na opinião do ministro, não pode ser visto só na perspectiva da criação da indústria, mas daquilo que reflecte nas outras externalidades. “É tudo que ela agrega, mas o fundamental é o capital humano. Angola é um país com cerca de 75 ou 65% da população na faixa etária entre 15 e 35 anos”, indicou.

Reafirmou que o país é habitado por maioria muito jovem, o que considerou “extraordinário”, já que longe de ser um problema “é mesmo uma vantagem comparativa que ainda não se tornou em vantagem competitiva, porque falta qualificação, capacitação e por aí fora”.

Víctor Fernandes sublinhou que, havendo tanta gente jovem com força para trabalhar, é desejo de muitos países, mas não têm esta sorte, pois há geografias em que a população está em envelhecimento.

“Temos essa vantagem comparativa de termos muito capital humano com força e disponibilidade para trabalhar e isso aliado aquilo que é o factor decisivo da indústria. Estamos a caminhar para a criação da vantagem competitiva. Outra vantagem é a nossa localização geográfica (África Austral), numa zona com 350 milhões de pessoas, com poucos conflitos, mais ou menos estável do ponto de vista político. Somos um exemplo de estabilidade política extraordinária”, assinalou o governante. Segundo o ministro, há muitos países nesta região e no continente inteiro com a mesma estabilidade política, com paz duradoura e com um povo pacífico. “Esses são os factores que, em minha opinião, devem relançar o nosso país, torná-lo altamente competitivo e capaz de transformar as vantagens comparativas em competitivas”, observou

“O Governo decidiu apostar em programas como o Planagrão, Planapecuária e Planapescas, pelo que os empresários que queiram acompanhar o fomento da produção devem aderir a estes três planos. Quem tiver vontade de fazer outro tipo de indústria, terá o devido apoio, mas é necessário apostar na vantagem de termos terras para termos auto-suficiência alimentar, produzir aquilo que comemos”, finalizou.

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

We use cookies to personalise content and ads, to provide social media features and to analyse our traffic. We also share information about your use of our site with our social media, advertising and analytics partners. View more
Aceitar